Dever, Costume e o Abuso

Ao analisar a aplicação dessas palavras no cotidiano da vida, vamos nos deparar com as mais diferentes formas de sua utilização. Todos temos dever: dever de conivência, de respeito, com a vida, com o trabalho, com as obrigações, com a família, com os estudos, com a saúde, com o cargo que ocupamos, com o dinheiro publico, etc…

Todavia, nas mais diferentes faixas etárias e nas diferentes classe sociais, esses deveres se revelam mais aplicados ou menos aplicados. Alguns deveres são tão necessários que há lei que obriga o cumprimento, como por exemplo, o dever dos pais em fazer os filhos estudarem. O dever do pai de alimentar o filho, o dever do filho de prestar assistência aos pais, etc…

Há também o dever politico dos maiores de 18 anos de votarem pois, infelizmente, o voto é obrigatório. Há o dever também do Homem Publico de respeitar a coisa publica, do servidor publico, “servir o publico” e assim por diante.

Já o costume é a maneira brasileira de mitigar o dever, ou mesmo se contrapor ao dever. Uma pessoa que estando desempregada busca um emprego, antes de conseguir o emprego se compromete, quando entrevistado, a fazer todo seu dever como empregado e a servir a empresa em seus objetivos. Uma vez contratado, passa não mais a olhar a planilha de suas obrigações – dever –  mas sim a tábua de seus direitos. Seu dever tem limite, mas seus direitos não e esses são inimagináveis.

Conheci o absurdo nessa área quando um trabalhador rural, tirador de leite com ordenhadeira, pleiteou insalubridade. Não sou trabalhista mas achei o pleito no mínimo inovador. O costume assim, substitui o dever e acaba desaguando no abuso.

No abuso temos de tudo: abuso de atestados médicos, abuso de faltas, abuso de dissidia, abuso de desculpas, abuso sexual contra criança, abuso com o dinheiro publico e o pior dos abusos: o abuso de autoridade.

O abuso de autoridade é a pratica exercida por pessoas que deveriam prestar serviços ao Povo e que, revestidos de autoridade escolhem primeiro a quem servir e depois de quem abusar.

Esse tipo de abuso é cometido especialmente por pessoas despreparadas, que se julgam superior aos outros, ou ainda, que formadas e com certo preparo, não possuem a dimensão da sua obrigação – dever –  e se deixam levar pelo costume. “Eu estou no cargo ou função e  ninguém é maior que isso.” E “eu” decido o que devo ou não fazer e como fazer.

Isso não contribui para nada. Pois se todos cumprissem o dever, o direito de todos, inclusive o próprio, estariam assegurados. Todavia, quando, ao invés de cumprir o dever, preferirmos o costume de abusar das prerrogativas e das funções, todos perdem, pois o mau exercício de uma função ou atividade destroça a cadeia da evolução social. Quando o dever tiver que ser feito a critério do julgamento de quem tem a obrigação, já nasce o abuso que corrói tudo, inclusive o próprio abusador ou descumpridor do dever.

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